É
importante destacar que o governador Garotinho, presidente do Partido
da República (PR), fechou questão determinando que deputados do
Partido votem contra a criação do novo Tribunal.
A
criação do Tribunal também foi criticada pela vereadora Clarissa
Garotinho, em artigo publicado no Jornal do Brasil de ontem e
reproduzido aqui.
“...um
dos maiores absurdos seria a ideia de que teríamos todos os
conselheiros indicados de uma só vez, pelo mesmo grupo político que
hoje ocupa o governo do estado e a Alerj. Num ano eleitoral em que o
governador é candidato à reeleição e o presidente da Alerj é
candidato ao Senado, a composição de um tribunal neste momento
funcionaria como uma espada sobre a cabeça dos agentes políticos de
todos os municípios”.
Reportagem
de O Globo:
Aposentadoria
a jato
Proposta permite a conselheiros de novo tribunal pedirem
benefício assim que assumirem
Carla Rocha, Fábio
Vasconcellos e Natanael Damasceno
Os sete futuros
conselheiros do Tribunal Estadual de Contas dos Municípios ocuparão
não apenas cargos vitalícios, com salários de R$ 26 mil, como
poderão também requisitar aposentadoria logo após assumirem o
cargo. Essa mudança, que acaba com exigência mínima de cinco anos
de
permanência no cargo,
consta do novo texto da proposta de emenda constitucional (PEC 60)
aprovado ontem pela Comissão de Emendas e Vetos da Alerj e que será
votado nos próximos dias. Os deputados analisaram 54 sugestões de
alteração da PEC e aprovaram pelo menos 20.
Pelo texto divulgado,
os deputados criaram uma nova versão do artigo 128 da Constituição
estadual, que seria aplicada apenas ao novo tribunal.
O artigo original diz
que os conselheiros do atual Tribunal de Contas “somente poderão
aposentar-se com as vantagens do cargo quando o tiverem exercido
efetivamente por mais de cinco anos”. O artigo 128-A, apresentado
ontem, diz apenas que os conselheiros do Tribunal de Contas dos
Municípios terão todas as garantias e prerrogativas do cargo de
desembargador, sem fazer referência à permanência mínima no
posto.
Caso seja mantido, o
artigo 128-A abre uma brecha para pedidos de aposentadorias
semelhantes aos que ocorreram em 1990. Naquele ano, a Alerj extinguiu
o Conselho de Contas dos Municípios, que tinha sido instituído oito
meses antes, com a mesma função de analisar as contas de 91
prefeituras no estado. Cinco dos conselheiros nomeados na época para
o antigo órgão entraram com pedidos de aposentadorias e recebem até
hoje salários pagos pelo governo.
Associação
diz que mudança é proibida
Procurado, o deputado
Paulo Melo (PMDB), relator do novo texto da PEC 60, afirmou que houve
um erro de redação da proposta. Segundo ele, os futuros
conselheiros serão obrigados a terem no mínimo cinco anos de
atividade para requerer a aposentadoria, como prevê a Constituição
estadual.
- Isso (o fim da
exigência de cinco anos) não existe. Se está no texto, foi um erro
de redação. Não vai haver modificação na Constituiçãoestadual
com relação ao critério atual de aposentadoria - afirmou Melo.
O presidente da
Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil(Atricon),
Salomão Ribas Júnior, ficou surpreso ao saber da alteraçãoproposta
pelos deputados. Ele explicou que a permanência mínima de cincoanos
no cargo é uma regra constitucional federal para evitar abusos: “A
exigência do prazo mínimo de cinco anos surgiu em Santa Catarina há
muitos anos. Na época, o sujeito chegava ao cargo num dia e já
queria se aposentar no outro, alguns meses depois. O então
governador do estado, Antônio Carlos Conde Reis, constitucionalista
renomado, sancionou o projeto de um deputado que criava a permanência
mínima de cinco anos. Ninguém nunca teve coragem de questionar
isso. Todo mundo sempre cumpriu.
Ele criticou a criação
de mais um tribunal no Rio: - Nós, brasileiros, diante de um
problema, estamos sempre querendo criar um novo tipo de controle. O
que precisamos fazer é que os controles operem adequadamente.
Para o advogado Hermano
Cabernite, que analisou os mudanças a pedido do GLOBO, o argumento
dos deputados de que simplesmente houve um erro na redação deve ser
mais bem analisado.
Segundo ele, uma
proposta de emenda constitucional com erros não poderia ser aprovada
pela Comissão de Emendas e Vetos.
- Uma emenda
constitucional é algo muito sério. Os deputados estão criando um
novo órgão. Eles aprovaram na comissão o novo texto com as emendas
e não poderiam, como dizem, ter errado um artigo tão importante
como esse - afirmou o advogado.
Os deputados favoráveis
à PEC 60 afirmaram que as emendas melhoraram a proposta. Eles alegam
que pontos polêmicos - como o fim da exigência de diploma de
terceiro grau para os conselheiros, bem com da de prefeitos e
vereadores informarem os salários aos tribunais - foram retirados do
novo texto. A PEC que vai a votação prevê que os conselheiros
sejam escolhidos até junho deste ano, mas eles só passarão a
trabalhar em janeiro de 2011. Até lá, os deputados esperam que o
atual TCE ceda ao menos 35% do seu quadro de funcionários para o
futuro tribunal. Os parlamentares incluíram a exigência de que um
dos conselheiros nomeados seja do corpo técnico do tribunal. Outra
alteração limita em 3% o percentual da receita líquida do estado
que poderá ser usado por Alerj, TCE e novo tribunal para despesas
com pessoal.
Por causa das
divergências políticas entre Alerj e TCE, os deputados aprovaram
uma emenda que determina que os conselheiros com familiares até
terceiro grau concorrendo a cargos eletivos peçam afastamento
durante a campanha eleitoral.
Embora as exigências
passem a valer tanto para o novo tribunal quanto para o TCE, os
deputados continuam defendendo a necessidade de dividir o Tribunal de
Contas do Estado.
- O problema é que o
antigo tribunal reúne um conjunto de conselheiros que é caso de
polícia. E, como a fonte maior dessa casa de negócios são as
prefeituras do interior, não vejo alternativa à criação de um
novo conselho - disse Marcelo Freixo (PSOL), um dos autores do
projeto original.
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